Nessa época de dia dos namorados sempre aparecem aqueles programas que falam de relacionamentos... aqueles livros que querem te ensinar como arranjar um namorado, enfim, sempre tem um especialista que sabem mais sobre você do que você mesmo, Sempre tem alguém que sabe um pouco mais sobre todo mundo que você.
Enfim. Não importa. O que importa é que eu comecei a pensar sobre o Dia dos namorados. Coisa que na verdade eu nunca liguei muito. Mesmo. Nunca fui namoradeira, nem nunca me fez mal estar só nessa dia. Inclusive, acredito ter “comemorado” o dia dos namorados umas três vezes na vida. Duas com meu último namorado, e uma com meu namorado de 15 anos.
Fico pensando agora na contradição dessa data. O que vejo nos últimos tempos, pela minha experiência, são pessoas que não querem se envolver. Desde o ano passado tenho vivido situações onde as pessoas querem ter momentos. Elas conseguem viver de momentos pontuais. Deu vontade, vou lá e “pego”. E parto pra próxima. Então, porque muita gente fica mal de estar sozinha no dia dos namorados?
E quando finalmente acham alguém de quem gostam, essa pessoa acaba sendo umas dessas pessoas que só quer viver de momentos. Por que sim, esse dia chega para todos: você pode só querer ser amigo da pessoa, ficar sem compromisso, e ter essa idéia como proposta de vida. Mas um dia, ah meu amigo, um dia você vai encontrar aquela pessoa que mexe de um jeito que você não consegue nem definir. E ai? E Se essa pessoa tem como proposta de vida a mesma que a sua?
A gente vive num desencontro tremendo. A vida contemporânea, os relacionamentos superficiais funcionam como uma proteção, como se o mundo inteiro estivesse fora de controle, e a gente se agarrasse às únicas coisas que a gente ainda ACHA que pode ter controle. Eu sei quem eu quero. Vou lá e beijo. Não quero mais. Agora quero fulano. Agora quero sicrano. Agora já não quero mais. Agora, agora, agora. Tudo no Agora.
Sabe o que eu acho estranho? Ninguém escolhe: Agora, eu quero ficar sozinho. Por que mesmo quem acha que escolhe estar sozinho, está sempre saindo a procura de alguém. Mesmo a escolha de ficar só é ao mesmo tempo uma tentativa de achar alguém. A gente nunca tá livre disso. Mesmo que seja pra se repetir: já estive com você: agora não quero mais.
‘A gente se acomoda com o que incomoda”. Ouvi isso no show do Teatro Mágico ontem. Essa frase serve para uma infinidade de coisas. Fico pensando em como eu me acomodei esse ano a duas situações em que viver pequenos momentos me fizeram feliz, mas que de um jeito ou de outro, eu sempre soube que apenas estavam contribuindo para que eu me sentisse ainda cada vez mais só. Sabe aquela história, de estar acompanhado mas ainda assim, se sentir sozinho? Eu me mantive em duas situações onde eu sabia que não ia dar em nada. Isso me incomodava, mas ao mesmo tempo me acomodei. Sintomas... sabe lá do que...
Esse dia dos namorados está servindo para alguma coisa pelo menos: considerar seriamente uma mudança de ares que estar por vir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário