“ - Abriu vaga para agogô na Portela. Tá afim?”
E assim começa a minha saga de 3 semanas para conseguir sair na Portela. Ensaios em Madureira, trem, muito cansaço e dor no braço.
Na verdade pra quem já toca em escola de samba o carnaval começa muito antes. Dependendo da escola, os ensaios começam já em Maio do ano anterior. Esse ano por exemplo, comecei a freqüentar os ensaios do Salgueiro em maio, mas infelizmente ainda não foi dessa vez.
Muito bem, mas voltemos à Portela. A única vez que havia comparecido à quadra foi numa feijoada, no dia do jogo do Brasil contra a França pela Copa do Mundo de 2006. O resultado daquele dia fatídico todo mundo já sabe, mas o que me marcou mesmo foi estar naquele lugar tão importante para a história do samba, comendo uma típica feijoada, ouvindo a Velha guarda da Portela e, logo em seguida ao jogo, assistir ao Paulinho da Viola dar uma canja de quase uma hora aos presentes... a quadra veio a baixo!
Quase 3 anos depois, volto à quadra para os ensaios de bateria e de comunidade, em Madureira (que aventura chegar lá! Rs!) com o objetivo de aprender em menos de 3 semanas todos os desenhos, bossas, coreografias que a bateria faz.
Na segunda-feira, foi só a bateria. Tensão. Muita coisa pra aprender e pouco tempo para tanto. Mas eu estava ali, e não iria desistir fácil. Não sei explicar muito bem... é a sensação de se estar onde o samba realmente está. É a sensação de estar não só numa escola de samba que quer vencer o carnaval, mas que consegue fazer o melhor para defender o samba que está trazendo para a avenida.
Na quarta-feira chego na quadra e vejo muuuuuito mais gente que na segunda. Fico sabendo que naquele dia aconteceria também os ensaios de alas da comunidade, baianas, crianças, baianinhas, com a bateria.
Dessa vez a bateria fica no palanque. E lá do alto, ao ver todas aquelas pessoas formadas, empolgadas, cantando o samba da escola com a maior garra (samba maravilhoso por sinal) fiquei super emocionada... assim de chorar mesmo. Ao olhar pra trás e ver todos aqueles instrumentos com a águia marcada, vi que estava fazendo parte de algo realmente grandioso, o momento de preparação de uma das escolas mais importantes e de história mais significativa para o Carnaval carioca.
Ao participar de tantos ensaios, você acaba se acostumando... mas estar na Portela é algo que eu nunca vou me acostumar...nunca.
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