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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Depois de ver "Camille Claudel"

Só há a possibilidade de vida enquanto persistir a esperança. Essa mola que estica e estica, e que levamos até o extremo, mas que volta a mesma forma. Quando ela se rompe, só restam os pedaços. Pedaços do que poderia ter sido, de quem poderia ter ido, do que poderia ter acontecido. Daquilo que ainda não foi dito, e perdido paira como sombra. Com sombra estará e será sempre.
Como deve ser perder a esperança? E perder o elo que alça voo com a existência e convoca amarração, sentido, signifcado, significância para tudo?
Estar na errância da vida, estar no meio fio, pêndulo, gasto, vazio?
Onde nasce a esperança, e para onde ela cresce? E será que como árvore se desenvolve e promove frutos, natureza pura? e se um dia morre, será silenciosamente, corroída, corrompida, destroçada, desamada, desarmada, desamor?
e que sofrimento é esse, que dilacera, e amendronta, e paralisa... como se uma mão arrancasse de dentro da gente não o coração, mas sim a própria esperança em carne viva, que pulsa ainda lutando para sobreviver... e que faz o ar quase acabar e por um segundo a morte...se materializa e como humana que é, alcançável?
Quem é capaz de responder a qualidade do mundo, o buraco, o fosso sem fundo que existe entre o que é, e o que não foi, e não será nunca mais? Sobre o que não volta?
O que será a esperança? Esse sentimento que me escapa e que me funda, arcabouço teórico de mim e que vagueia, zigue zagueando tira chão, poeira e ao mesmo tempo me lança no espaço, no mundo, inteira, completa... para me jogar na inquietude outra vez?
De olhos fechados tateio na claridade óbvia do resto aquilo dos pedaços que me sobraram...
Que palavra é essa que hoje transborda...
e dói?

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