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terça-feira, 8 de julho de 2008

Brincando em cima daquilo

Não, eu não vi a peça. E não, esse post não é para ser engraçado.
Resolvi recomeçar um novo blog. É sempre assim, começo e depois largo de mão, mas quem sabe dessa vez não dá certo??

Tá todo mundo chocado com a morte do menino João. Aquele que foi morto pela polícia na Tijuca. Sem ter a intenção de ser mais um alguém a comentar esse fato lamentável, cabem porém alguns comentários sobre esse episódio, sobre aquilo que diz respeito a insegurança.

Pois então, no domingo fui visitar meus amigos da Casa das Palmeiras, daí fui até a casa de um deles na Gávea. Eu moro na Tijuca.
Estávamos entretidos vendo o final de temporada de Lost no AXN, bebendo cerveja e comendo torradas com pastinhas, ocasionalmente debatendo a importância de se enxergar as teorias da Psicologia como uma caixa de ferramentas. (Todos psicólogos)
Até que dá meia-noite e alguém fala " - Tá na hora de irrrrrrrr" e normalmente esse é o coro que puxa o bonde. Pois bem, como a viagem até a Tijuca é demorada, e já era tarde, pensei em ficar lá para dormir. Pensei " eu deveria ter vindo mais cedo e voltado de ônibus". Mas todo mundo se juntou e resolveu voltar de Táxi. Primeira parada: Flamengo. Segunda parada: Vila Isabel. Ponto Final, Tijuca.
Cheguei em casa, fiquei no computador, bati papo no msn e fui dormir.
No dia seguinte, Jornal Hoje: Aparece o pai do menino João, e todas cenas da "abordagem da polícia". Pergunto pra minha mãe em que parte da Tijuca havia acontecido o ocorrido... e ela diz: " Foi na Gal. Espírito Santo Cardoso!!!"

Detalhe 1: Foi praticamente na esquina da minha rua.
Detalhe 2: Se eu tivesse saído cedo de casa, voltado cedo, provavelmente teria pego o movimento, todo.
Detalhe 3: eu passo a pé por essa rua quase sempre.
Detalhe4: A delegacia de polícia civil da tijuca fica nessa rua.

Logo em seguida, aparece o pai do menino, chorando, perguntando - que polícia é essa? e questionando como um grupo que deveria proteger, acaba por atacar um carro com uma mulher e duas crianças pequenas.
E logo em seguida aparece a Leilane Neubarth contendo a emoção, para terminar de dar a notícia. E há muito tempo, eu não me chocava tanto com uma notícia sobre a imperícia da polícia.

A gente se esquece de se chocar
A gente se esquece de lembrar
A gente se esquece que sim, a violência está na porta da nossa casa.

Mas a vida segue apesar da violência.
Às vezes eu tenho a sensação de que a vida do carioca vai até onde a bala perdida (ou não ) permite.
Às vezes eu tenho a sensação de que a minha aparente valentia contra a violência da cidade (que impertinência querer sair a noite hoje em dia!) pode parecer, na verdade, um desejo de morte.
Ou não.
Mas o que fazer??