Minha flor
queria lhe escrever uma canção
A emoção não cabe nas palavras
queria encontrá-las sábias
pertinentes e amantes
uma declaração acalorada
um brado retumbante
um salto de fé
um sorriso cor de lírio
delicado
me envolvendo por todos os lados
te amando de todas as cores
e nunca mais ficando calada
de peito livre, aberto e verdadeiro
ver o mar sem voos rasantes
eu quero é mergulhar
e se houverem lágrimas
que elas não me afoguem
Apenas me deixem em estado de suspensão
A espera da hora mais viva
Em que o meu amor possa chegar a você...
Sobre aquele dia que você...
Aqui você vai encontrar divulgação de eventos culturais descolados, festas, além de eventos acadêmicos interessantes, vídeos curiosos e divagações ... muitas divagações!
segunda-feira, 22 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Alguém?
Quem é que viu meu passo descompassado por ai?
Saiu a revelia do meu pensamento
atropelando pedra, de pavio curto
estourado e surdo
se desligou de mim.
Quem é que viu meu bom senso, desmemoriado
andando aleatoriamente, de "cór" e salteado
automaticamente, bem comportado
se desligou de mim.
Quem é que viu meu silêncio absoluto
obsoleto redundante, alto falante, noturno
Fazendo eco, distoante, dissonante
Completamente e irrevogavelmente absurdo?
Saiu a revelia do meu pensamento
atropelando pedra, de pavio curto
estourado e surdo
se desligou de mim.
Quem é que viu meu bom senso, desmemoriado
andando aleatoriamente, de "cór" e salteado
automaticamente, bem comportado
se desligou de mim.
Quem é que viu meu silêncio absoluto
obsoleto redundante, alto falante, noturno
Fazendo eco, distoante, dissonante
Completamente e irrevogavelmente absurdo?
sábado, 23 de janeiro de 2010
presença
que falta que ela me faz
quando não ouço seu sorriso de criança
quando não sinto toda a esperança
que ela deposita em mim.
essa falta que me desfaz
e desvela todos os meus medos
de perder os abraços a ganhar de vista
minha parceira pra toda uma vida
meu corpo treme
te amo demais.
A doçura de suas palavras
me causando alvoroço no coração
A palma da mão aberta, estendida
no meio da multidão
Já não estou mais só
queria eu a gente um pouco mais junto
presença palavra salva no tumulto
nós duas um dia contra o mundo.
quando não ouço seu sorriso de criança
quando não sinto toda a esperança
que ela deposita em mim.
essa falta que me desfaz
e desvela todos os meus medos
de perder os abraços a ganhar de vista
minha parceira pra toda uma vida
meu corpo treme
te amo demais.
A doçura de suas palavras
me causando alvoroço no coração
A palma da mão aberta, estendida
no meio da multidão
Já não estou mais só
queria eu a gente um pouco mais junto
presença palavra salva no tumulto
nós duas um dia contra o mundo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
DH
Ao Ministro da Defesa Exmo. Dr. Nelson Jobim
Invado sua caixa de mensagem pedindo atenção para um tema que trata do futuro, não do passado. O Sr. me conhece pessoalmente e lembra-se de que quando fui Secretário de Cultura de Brasília, no ano de 1996, o Sr. era Ministro da Justiça e instituiu e deu no Festival de Cinema Brasília um prêmio para o filme que melhor abordasse a questão dos Direitos Humanos. Era uma preocupação comum a nossa.
Por que me dirijo agora ao senhor? Um punhado de cidadãos -̶ hoje somos mais de dez mil -̶ assinamos um manifesto afirmando que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos, contrários aos mais elementares sentimentos da nacionalidade. Agimos em nome da intransigente defesa dos direitos humanos. O Sr.., Ministro da Defesa, homem comprometido com a ordem democrática, eminente advogado constitucionalista, um dos redatores e subscritores da Constituição de 1988, hoje em ação concertada com os comandantes das forças armadas, condena a iniciativa de punir torturadores pelos crimes que cometeram.
Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos o que reforça a sensação de impunidade. Ao contrário do que afirmam os defensores da impunidade dos torturadores. O que está em juízo não é o julgamento das forças armadas, como afirmam os que as querem arrastar para o lodo moral que mergulharam. Agora pretendem proteger sua impunidade, camuflados corporativamente em nome da honra da instituição.
Um pouco de história não faz mal a ninguém. Não está em questão que para consumar o golpe de 64, os chefes militares de então tiveram que expurgar das forças armadas milhares de homens entre oficiais, sub-oficiais e praças cujo único crime foi defender o regime constitucional do país. Afastaram da vida política brasileira expressivas lideranças, cassando direitos políticos e mandatos parlamentares ou sindicais. Empurraram milhares de cidadãos, na imensa maioria jovens, para a ação clandestina que desembocou na luta armada.
De qualquer maneira os golpistas de 64 protegidos pela lei de anistia não serão anistiados pela história. Fecharam e cercaram o Congresso Nacional. Inventaram a excrescência chamada de Senador Biônico para não perder, pelo voto, o controle do Senado em plena ditadura militar. Os chefes militares podem ficar tranqüilos que seus antecessores não irão para a cadeia pelos crimes que cometeram contra um país, contra uma geração inteira, a minha, que desaprendeu a falar e pensar em liberdade. Nada disso está em juízo. Vinte e cinco anos depois de iniciada a transição democrática, o que está em juízo não é o processo de anistia política.
Tranqüilize seus colegas militares, ministro. O regime militar não está sendo julgado pela quebra do sistema público de saúde ou pela quebra do sistema educacional. Estamos pedindo a punição contra criminosos comuns por crimes de lesa humanidade. Queremos o julgamento e condenação da prática de crimes hediondos. Só isso. Assusta a quem? Em nome do quê o Brasil será eternamente refém de bandidos? O que justifica acobertar crimes condenados por todos os códigos, normas e tribunais internacionais em matéria de direitos humanos? O Sr. deve estar se perguntando o porquê do meu empenho nesta causa. Vou lhe contar.
Despontei pra a vida adulta baixo a ditadura militar. Em 1964, tinha 14 anos e cresci sob o signo do medo. Sou de uma família de judeus liberais, meu pai advogado e minha mãe médica. Invoco as raízes judaicas porque meus pais eram muito marcados pelo holocausto, pelos crimes nazistas cometidos contra a humanidade. Tínhamos muito medo das soluções autoritárias. Eu queria viver num país livre e tinha sentimentos de profunda repugnância a ditaduras. Meus amigos também eram assim. Participei de passeatas, diretórios estudantis e cineclubes. Queria derrubar a ditadura fazendo filmes. Acreditava que era possível. Em 1969, um companheiro de Cineclubismo seqüestrou um avião para Cuba. Não tive nada a ver com isso. Desconhecia as intenções e a organização do seqüestro. Meu crime foi ser amigo – sim, meu crime foi o de ser amigo de um seqüestrador. Quase fui preso e morreria na tortura sem falar, não por ato de bravura, mas por absoluto desconhecimento de causa. Não pertencia a nenhuma organização revolucionária. Não sabia nada sobre o seqüestro.
Escapei dessa situação pela coragem pessoal de minha mãe que driblou os imbecis fardados que foram me prender e consegui fugir de casa nas barbas da turma do Ministério da Aeronáutica que, naquele momento, ao invés de dedicar-se a cumprir sua missão constitucional de proteger nossas fronteiras, prendiam, torturavam e matavam estudantes. Tive também a ajuda do Coronel Aviador Afrânio Aguiar que empenhou-se até a medula para que não fosse preso e massacrado na Aeronáutica. A ele dedico meu filme mais recente “Utopia e Barbárie”. Sem ele, dificilmente estaria contando essa história hoje aqui. Outras pessoas também me ajudaram a sair vivo dessa história mas como não tenho autorização para citá-los e estão vivos, guardo nomes e lembranças no coração.
Em 1970 fui viver no Chile por livre e espontânea vontade. Saí do Brasil legalmente com passaporte, ainda que tenha ido ao DOPS explicar por que saía do Brasil. Eles sabiam as razões pelas quais saía (como é cantado na música, “Não queria morrer de susto, bala ou vício”). Em Janeiro de 1971,do Chile, mandei uma carta para minha mãe, trazida por uma portadora, senhora de boa cepa, que fora visitar o filho no exílio em um gesto humanitário se ofereceu, ingenuamente, para trazer correspondência para os familiares dos exilados. O gesto lhe custou prisão e “maus tratos” nas dependências da aeronáutica. Na carta pedia a minha mãe que me enviasse livros e minha máquina de escrever. A carta foi entregue em Copacabana por militares do Doi-Codi que arrombaram minha casa, arrombaram móveis a procura de metralhadora (Assim entenderam “máquina de escrever”). Minha mãe foi levada para o quartel da PE na Barão de Mesquita, onde foi humilhada e um dos “patriotas”que a conduziu assumiu de forma permanente a guarda do relógio que entrou com ela na PE e não voltou para casa. Amigos ocultos numa rede de gente decente ajudaram a tirar minha mãe daquela filial verde oliva do inferno.
Sim ministro, havia muita gente decente nas forças armadas ou que gravitavam em torno dela e que faziam o que podiam para ajudar pessoas. A maioria, prefere, até hoje, não revelar seus gestos por medo dos que praticando atos dignos dos piores momentos da máfia intimidam e atemorizam pessoas de bem.. Pior do que o relógio foi o destino do ex-deputado Rubens Paiva que foi preso no mesmo dia e nunca mais encontrado. Os senhores fazem muita questão mesmo de proteger os canalhas que seqüestraram e assassinaram o ex-deputado pelo crime de ter recebido correspondência pessoal de exilados no Chile? A quem interessa essa “Omertá”? Ministro, para esses crimes não há justificativa e menos O que leva a chefes militares e o Ministro da Defesa a se pronunciarem contra a apuração de crimes? Tortura, estupro, morte, muitas vezes seguido de roubo, são atos políticos passíveis de anistia?
Desculpe a franqueza, mas não consigo entender. Em nome do futuro democrático do Brasil , espero que a banda podre, montada no Dragão da Maldade, não saia vitoriosa.
Os chefes militares pronunciam-se a favor do pagamento de reparações às vitimas do arbítrio como um ato indenizatório. . Pagamento este feito com recursos públicos desviado de finalidades mais nobres para ressarcir prejuízos causados por canalhas que deveriam ter seus bens confiscados e pagarem com recursos próprios os crimes que cometeram. Muitas empresas que se locupletaram durante a ditadura e inclusive financiaram o aparato repressivo poderiam participar dessas indenizações. No meu caso, ministro, posso lhe dizer que não há dinheiro que feche essa conta. Não pedi anistia nem indenização porque acho que não sou merecedor (nunca fui exilado, nunca me apresentei assim). E vivo bem com meu trabalho de cineasta há quarenta anos e professor universitário há 31. Se fosse pago com recursos dos bandidos, aceitaria de bom grado. Recursos públicos não. Cada centavo que aceitasse, me sentiria roubando de uma criança ou de um homem ou uma mulher humildes que precisam mais desse dinheiro numa escola pública, num posto médico, do que eu. Não recrimino quem, por necessidade ou sentimento de justiça, o faça.
A reparação que peço é a punição exemplar dos torturadores da minha mãe. O senhor há de concordar que não estou pedindo muito nem nada despropositado. E quando digo que penso no futuro e não no passado é porque a punição exemplar de criminosos desestimulará semelhantes práticas no futuro e terá uma função pedagógica para os que caiam em tentação de uso indevido dos poderes do Estado, que entendam que não vivemos no país da impunidade.Justiç a, peço apenas justiça.
Bom 2010 para o sr.
Atenciosamente,
Silvio Tendler
P.S. Falamos de tanta coisa mas esquecemos de comentar dois crimes cometidos depois de 1979 que já não estariam cobertos pela lei de anistia: O assassinato de D. Lyda Monteiro da Silva, secretaria do Presidente da OAB, a mutilação do jornalista José Ribamar em 1980 e, em 1981, a bomba que explodiu no Riocentro que causou a morte de um sargento e graves ferimento no Capitão. Imagino que enquanto advogado, o quanto lhe repugna o assassinato da secretária do Presidente da OAB e a mutilação de um jornalista. Tantos anos decorridos, talvez ainda seja possível descobrir “os comunistas” responsáveis pela bomba do Riocentro, como concluiu o vexaminoso IPM instaurado na ocasião.
Por falar em comunistas, movimento que condenava a luta armada, o que dizer do assassinato do jornalista Wladimir Herzog, do operário Manoel Fiel Filho e do desaparecimento do dirigente Davi Capistrano? Seus assassinos terão imagem, nome e sobrenome ou continuarão protegidos por este exército das sombras?
Silvio Tendler
Fonte: http://www.paulohenriqueamorim/. com.br/?p= 25324
Invado sua caixa de mensagem pedindo atenção para um tema que trata do futuro, não do passado. O Sr. me conhece pessoalmente e lembra-se de que quando fui Secretário de Cultura de Brasília, no ano de 1996, o Sr. era Ministro da Justiça e instituiu e deu no Festival de Cinema Brasília um prêmio para o filme que melhor abordasse a questão dos Direitos Humanos. Era uma preocupação comum a nossa.
Por que me dirijo agora ao senhor? Um punhado de cidadãos -̶ hoje somos mais de dez mil -̶ assinamos um manifesto afirmando que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos, contrários aos mais elementares sentimentos da nacionalidade. Agimos em nome da intransigente defesa dos direitos humanos. O Sr.., Ministro da Defesa, homem comprometido com a ordem democrática, eminente advogado constitucionalista, um dos redatores e subscritores da Constituição de 1988, hoje em ação concertada com os comandantes das forças armadas, condena a iniciativa de punir torturadores pelos crimes que cometeram.
Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos o que reforça a sensação de impunidade. Ao contrário do que afirmam os defensores da impunidade dos torturadores. O que está em juízo não é o julgamento das forças armadas, como afirmam os que as querem arrastar para o lodo moral que mergulharam. Agora pretendem proteger sua impunidade, camuflados corporativamente em nome da honra da instituição.
Um pouco de história não faz mal a ninguém. Não está em questão que para consumar o golpe de 64, os chefes militares de então tiveram que expurgar das forças armadas milhares de homens entre oficiais, sub-oficiais e praças cujo único crime foi defender o regime constitucional do país. Afastaram da vida política brasileira expressivas lideranças, cassando direitos políticos e mandatos parlamentares ou sindicais. Empurraram milhares de cidadãos, na imensa maioria jovens, para a ação clandestina que desembocou na luta armada.
De qualquer maneira os golpistas de 64 protegidos pela lei de anistia não serão anistiados pela história. Fecharam e cercaram o Congresso Nacional. Inventaram a excrescência chamada de Senador Biônico para não perder, pelo voto, o controle do Senado em plena ditadura militar. Os chefes militares podem ficar tranqüilos que seus antecessores não irão para a cadeia pelos crimes que cometeram contra um país, contra uma geração inteira, a minha, que desaprendeu a falar e pensar em liberdade. Nada disso está em juízo. Vinte e cinco anos depois de iniciada a transição democrática, o que está em juízo não é o processo de anistia política.
Tranqüilize seus colegas militares, ministro. O regime militar não está sendo julgado pela quebra do sistema público de saúde ou pela quebra do sistema educacional. Estamos pedindo a punição contra criminosos comuns por crimes de lesa humanidade. Queremos o julgamento e condenação da prática de crimes hediondos. Só isso. Assusta a quem? Em nome do quê o Brasil será eternamente refém de bandidos? O que justifica acobertar crimes condenados por todos os códigos, normas e tribunais internacionais em matéria de direitos humanos? O Sr. deve estar se perguntando o porquê do meu empenho nesta causa. Vou lhe contar.
Despontei pra a vida adulta baixo a ditadura militar. Em 1964, tinha 14 anos e cresci sob o signo do medo. Sou de uma família de judeus liberais, meu pai advogado e minha mãe médica. Invoco as raízes judaicas porque meus pais eram muito marcados pelo holocausto, pelos crimes nazistas cometidos contra a humanidade. Tínhamos muito medo das soluções autoritárias. Eu queria viver num país livre e tinha sentimentos de profunda repugnância a ditaduras. Meus amigos também eram assim. Participei de passeatas, diretórios estudantis e cineclubes. Queria derrubar a ditadura fazendo filmes. Acreditava que era possível. Em 1969, um companheiro de Cineclubismo seqüestrou um avião para Cuba. Não tive nada a ver com isso. Desconhecia as intenções e a organização do seqüestro. Meu crime foi ser amigo – sim, meu crime foi o de ser amigo de um seqüestrador. Quase fui preso e morreria na tortura sem falar, não por ato de bravura, mas por absoluto desconhecimento de causa. Não pertencia a nenhuma organização revolucionária. Não sabia nada sobre o seqüestro.
Escapei dessa situação pela coragem pessoal de minha mãe que driblou os imbecis fardados que foram me prender e consegui fugir de casa nas barbas da turma do Ministério da Aeronáutica que, naquele momento, ao invés de dedicar-se a cumprir sua missão constitucional de proteger nossas fronteiras, prendiam, torturavam e matavam estudantes. Tive também a ajuda do Coronel Aviador Afrânio Aguiar que empenhou-se até a medula para que não fosse preso e massacrado na Aeronáutica. A ele dedico meu filme mais recente “Utopia e Barbárie”. Sem ele, dificilmente estaria contando essa história hoje aqui. Outras pessoas também me ajudaram a sair vivo dessa história mas como não tenho autorização para citá-los e estão vivos, guardo nomes e lembranças no coração.
Em 1970 fui viver no Chile por livre e espontânea vontade. Saí do Brasil legalmente com passaporte, ainda que tenha ido ao DOPS explicar por que saía do Brasil. Eles sabiam as razões pelas quais saía (como é cantado na música, “Não queria morrer de susto, bala ou vício”). Em Janeiro de 1971,do Chile, mandei uma carta para minha mãe, trazida por uma portadora, senhora de boa cepa, que fora visitar o filho no exílio em um gesto humanitário se ofereceu, ingenuamente, para trazer correspondência para os familiares dos exilados. O gesto lhe custou prisão e “maus tratos” nas dependências da aeronáutica. Na carta pedia a minha mãe que me enviasse livros e minha máquina de escrever. A carta foi entregue em Copacabana por militares do Doi-Codi que arrombaram minha casa, arrombaram móveis a procura de metralhadora (Assim entenderam “máquina de escrever”). Minha mãe foi levada para o quartel da PE na Barão de Mesquita, onde foi humilhada e um dos “patriotas”que a conduziu assumiu de forma permanente a guarda do relógio que entrou com ela na PE e não voltou para casa. Amigos ocultos numa rede de gente decente ajudaram a tirar minha mãe daquela filial verde oliva do inferno.
Sim ministro, havia muita gente decente nas forças armadas ou que gravitavam em torno dela e que faziam o que podiam para ajudar pessoas. A maioria, prefere, até hoje, não revelar seus gestos por medo dos que praticando atos dignos dos piores momentos da máfia intimidam e atemorizam pessoas de bem.. Pior do que o relógio foi o destino do ex-deputado Rubens Paiva que foi preso no mesmo dia e nunca mais encontrado. Os senhores fazem muita questão mesmo de proteger os canalhas que seqüestraram e assassinaram o ex-deputado pelo crime de ter recebido correspondência pessoal de exilados no Chile? A quem interessa essa “Omertá”? Ministro, para esses crimes não há justificativa e menos O que leva a chefes militares e o Ministro da Defesa a se pronunciarem contra a apuração de crimes? Tortura, estupro, morte, muitas vezes seguido de roubo, são atos políticos passíveis de anistia?
Desculpe a franqueza, mas não consigo entender. Em nome do futuro democrático do Brasil , espero que a banda podre, montada no Dragão da Maldade, não saia vitoriosa.
Os chefes militares pronunciam-se a favor do pagamento de reparações às vitimas do arbítrio como um ato indenizatório. . Pagamento este feito com recursos públicos desviado de finalidades mais nobres para ressarcir prejuízos causados por canalhas que deveriam ter seus bens confiscados e pagarem com recursos próprios os crimes que cometeram. Muitas empresas que se locupletaram durante a ditadura e inclusive financiaram o aparato repressivo poderiam participar dessas indenizações. No meu caso, ministro, posso lhe dizer que não há dinheiro que feche essa conta. Não pedi anistia nem indenização porque acho que não sou merecedor (nunca fui exilado, nunca me apresentei assim). E vivo bem com meu trabalho de cineasta há quarenta anos e professor universitário há 31. Se fosse pago com recursos dos bandidos, aceitaria de bom grado. Recursos públicos não. Cada centavo que aceitasse, me sentiria roubando de uma criança ou de um homem ou uma mulher humildes que precisam mais desse dinheiro numa escola pública, num posto médico, do que eu. Não recrimino quem, por necessidade ou sentimento de justiça, o faça.
A reparação que peço é a punição exemplar dos torturadores da minha mãe. O senhor há de concordar que não estou pedindo muito nem nada despropositado. E quando digo que penso no futuro e não no passado é porque a punição exemplar de criminosos desestimulará semelhantes práticas no futuro e terá uma função pedagógica para os que caiam em tentação de uso indevido dos poderes do Estado, que entendam que não vivemos no país da impunidade.Justiç a, peço apenas justiça.
Bom 2010 para o sr.
Atenciosamente,
Silvio Tendler
P.S. Falamos de tanta coisa mas esquecemos de comentar dois crimes cometidos depois de 1979 que já não estariam cobertos pela lei de anistia: O assassinato de D. Lyda Monteiro da Silva, secretaria do Presidente da OAB, a mutilação do jornalista José Ribamar em 1980 e, em 1981, a bomba que explodiu no Riocentro que causou a morte de um sargento e graves ferimento no Capitão. Imagino que enquanto advogado, o quanto lhe repugna o assassinato da secretária do Presidente da OAB e a mutilação de um jornalista. Tantos anos decorridos, talvez ainda seja possível descobrir “os comunistas” responsáveis pela bomba do Riocentro, como concluiu o vexaminoso IPM instaurado na ocasião.
Por falar em comunistas, movimento que condenava a luta armada, o que dizer do assassinato do jornalista Wladimir Herzog, do operário Manoel Fiel Filho e do desaparecimento do dirigente Davi Capistrano? Seus assassinos terão imagem, nome e sobrenome ou continuarão protegidos por este exército das sombras?
Silvio Tendler
Fonte: http://www.paulohenriqueamorim/. com.br/?p= 25324
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Brincando em cima daquilo
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Samba do ouvidor
Taí uma programação que sempre ouvi falar que era ótima, mas nunca tive a oportunidade de ir. Inclusive sempre fiquei perdida em relação ao dia em que acontecia a roda de samba.
Parece que houve um problema em relação ao local em que a a roda rolava, mas agora tudo resolvido: Recomeçam os trabalhos em Fevereiro.
Ah, e descobri o blog do bloco. Agora não me perco mais:
http://sambadaouvidor.blogspot.com/
Parece que houve um problema em relação ao local em que a a roda rolava, mas agora tudo resolvido: Recomeçam os trabalhos em Fevereiro.
Ah, e descobri o blog do bloco. Agora não me perco mais:
http://sambadaouvidor.blogspot.com/
Senhoras e Senhores - qualéaboa?
MART'NÁLIA
SEXTA, dia 08 de Janeiro 2010
Abertura dos portões: 21h
Início dos shows: 23h
Abertura: DNA DO SAMBA
Pista c/ Dj Poha
www.INGRESSO.com.br
R$ 25 Estudante / R$ 50 Inteiro
Classificação: 18 anos (12 a 17 anos somente acompanhado dos pais).
09 de janeiro
ROBERTA SÁ
A cantora ROBERTA SÁ faz sua primeira apresentação na casa, dia 09 de janeiro, sábado, para o encerramento da turnê “Que belo estranho dia para se ter alegria”. No repertório da moça estão “Alô Fevereiro”, “O Pedido”, “Interessa?”. A noite ainda conta com participação especial de Rodrigo Maranhão. Na abertura, as picapes de DJ MAM comandam a pista. A bateria da MOCIDADE faz o encerramento
R$ 25 Estudante / R$ 50 Inteiro
Maracangalha
+ Bangarang Sound System
Dia 9 de janeiro
Casa Rosa
Pista 1 – Maracangalha
DJs Fukô e Aroldo
VJ Debora Gam
A Maracangalha é uma festa dedicada ao melhor da música popular brasileira, indo de samba, samba-rock, soul Brasil, bossa nova, até frevo, coco e maracatu...
Pista 2 – Bangarang Sound System
selectah’s: Lívio Laos, Prince Leo e Juca
O Bangarang Sound System faz a discotecagem da festa The Bangarang, única festa de música jamaicana dos anos 60 no Rio, contando com um acervo único de vinis focado em ska, rocksteady, early reggae e influências, como o soul.
Entrada
R$12 na lista amiga até meia noite
R$15 normal
Casa Rosa Cultural
Rua Alice, 550, Laranjeiras
Info: 2557-2562 / 9428-2743
euvoupramaracangalha@gmail.com
www.festamaracangalha.com
Ensaios de bloco - preparativos para o carnaval!!
Ensaios do Céu na terra
Sede do Bola preta:
Domingos: 10,17 e 24/01
Rua da Relação 03 Centro 14h
Escravos da Mauáaaa
Sextas, 15, 22 e 29
Largo de São Francisco da Prainha 20h.
SEXTA, dia 08 de Janeiro 2010
Abertura dos portões: 21h
Início dos shows: 23h
Abertura: DNA DO SAMBA
Pista c/ Dj Poha
www.INGRESSO.com.br
R$ 25 Estudante / R$ 50 Inteiro
Classificação: 18 anos (12 a 17 anos somente acompanhado dos pais).
09 de janeiro
ROBERTA SÁ
A cantora ROBERTA SÁ faz sua primeira apresentação na casa, dia 09 de janeiro, sábado, para o encerramento da turnê “Que belo estranho dia para se ter alegria”. No repertório da moça estão “Alô Fevereiro”, “O Pedido”, “Interessa?”. A noite ainda conta com participação especial de Rodrigo Maranhão. Na abertura, as picapes de DJ MAM comandam a pista. A bateria da MOCIDADE faz o encerramento
R$ 25 Estudante / R$ 50 Inteiro
Maracangalha
+ Bangarang Sound System
Dia 9 de janeiro
Casa Rosa
Pista 1 – Maracangalha
DJs Fukô e Aroldo
VJ Debora Gam
A Maracangalha é uma festa dedicada ao melhor da música popular brasileira, indo de samba, samba-rock, soul Brasil, bossa nova, até frevo, coco e maracatu...
Pista 2 – Bangarang Sound System
selectah’s: Lívio Laos, Prince Leo e Juca
O Bangarang Sound System faz a discotecagem da festa The Bangarang, única festa de música jamaicana dos anos 60 no Rio, contando com um acervo único de vinis focado em ska, rocksteady, early reggae e influências, como o soul.
Entrada
R$12 na lista amiga até meia noite
R$15 normal
Casa Rosa Cultural
Rua Alice, 550, Laranjeiras
Info: 2557-2562 / 9428-2743
euvoupramaracangalha@gmail.com
www.festamaracangalha.com
Ensaios de bloco - preparativos para o carnaval!!
Ensaios do Céu na terra
Sede do Bola preta:
Domingos: 10,17 e 24/01
Rua da Relação 03 Centro 14h
Escravos da Mauáaaa
Sextas, 15, 22 e 29
Largo de São Francisco da Prainha 20h.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Considerações
Ah 2009!
Quanta esperança guardada para você!
Quanta água e mágoa rolava para lá e para cá
e eu perdida na ventania
Não sabia se ficava;
ou se (r)ia (?)
Mas uma uma coisa meu coração consentia:
Não haverá mais espaço para o desamor
e para o desafeto
Mesmo que a tudo e a todos só restassem
isso ai... o resto do resto
Arrastado ao redor
para todos os lados
Fabricando-se de tudo na casa da mãe Joana
Essa santa de casa que não faz milagre
Na terra do sol que nunca se apaga
Já andei até considerando
que pouco pra mim era muito
andava me contentando com qualquer coisa
andando pela tangente do mundo
Mas tudo mudou
por que a arte e o amor me encontraram
e cresceram em mim
e novamente posso surgir gigante na roda
Pilotar gaivota
pairando no mar
criando fantasia sem fim.
Ah 2010!
Então a esperança outra vez se renova!
Fica decretado que no ano que vem
A gente se apaixone pelo mesmo amor de hora em hora
Desacredite o inacreditável
suavize as arestas
Alcance o inalcansável
possa ver o mar três vezes por semana
e comer chocolate todos os dias!
Mas o principal e mais importante
Ver sempre a vida verdadeira e límpida
a frente, e a cada segundo!
Quanta esperança guardada para você!
Quanta água e mágoa rolava para lá e para cá
e eu perdida na ventania
Não sabia se ficava;
ou se (r)ia (?)
Mas uma uma coisa meu coração consentia:
Não haverá mais espaço para o desamor
e para o desafeto
Mesmo que a tudo e a todos só restassem
isso ai... o resto do resto
Arrastado ao redor
para todos os lados
Fabricando-se de tudo na casa da mãe Joana
Essa santa de casa que não faz milagre
Na terra do sol que nunca se apaga
Já andei até considerando
que pouco pra mim era muito
andava me contentando com qualquer coisa
andando pela tangente do mundo
Mas tudo mudou
por que a arte e o amor me encontraram
e cresceram em mim
e novamente posso surgir gigante na roda
Pilotar gaivota
pairando no mar
criando fantasia sem fim.
Ah 2010!
Então a esperança outra vez se renova!
Fica decretado que no ano que vem
A gente se apaixone pelo mesmo amor de hora em hora
Desacredite o inacreditável
suavize as arestas
Alcance o inalcansável
possa ver o mar três vezes por semana
e comer chocolate todos os dias!
Mas o principal e mais importante
Ver sempre a vida verdadeira e límpida
a frente, e a cada segundo!
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